Mudanças
Prefeito nomeia novo gestor para a Santa Casa

Reprodução/Facebook - Legenda: Dionathan Nicorena vinha atuando como assessor administrativo no HSCU e agora substituirá Thaís Aramburu
O prefeito Carlos Delgado (PP) nomeou, na tarde desta sexta-feira, 29/8, o administrador Dionathan da Silveira Nicorena como novo gestor do Hospital Santa Casa de Uruguaiana (HSCU). Nicorena substituirá a enfermeira Thaís Aramburu, demitida por Delgado na tarde de quinta-feira. Ela comandava a Santa Casa desde o início da requisição administrativa pelo então prefeito Ronnie Mello (PP), em janeiro de 2019. Ele foi nomeado pelo Decreto 899/2025.
Nicorena não é estranho na administração da Santa Casa. Ele estava trabalhando na instituição desde o início da gestão de Carlos Delgado, como assessor administrativo. Ele também teve passagem pela gestão de Ronnie Mello, como secretário de Administração.
Até o fechamento desta edição, nem Delgado, nem o novo gestor se manifestaram. A Prefeitura Municipal também não emitiu comunicado oficial.
Ainda não há informações acerca do modelo a ser adotado a partir de agora no comando da instituição. Ao anunciar o desligamento de Aramburu do HSCU, o Executivo anunciou que um grupo de trabalho seria nomeado por Delgado e seria responsável pela mudança de gestão, com o objetivo de “garantir que o hospital continue atuando dentro da normalidade”.
O CIDADE tentou contato com o novo gestor, mas ele não atendeu ou retornou à redação até o fechamento desta edição.
Crise
A saída de Thaís ocorreu em meio a um agravamento da crise financeira vivida pela Santa Casa. A partir do início do ano, o HSCU está recorrendo quase mensalmente aos cofres do município. Somente esse ano foram cinco aportes de dinheiro público, que totalizaram R$ 4,6 milhões extras, além dos valores repassados mensalmente para manutenção de serviços como Pronto Socorro, Clínica Renal e Banco de Sangue.
O primeiro foi em janeiro e, segundo a instituição, utilizado para compra de medicamentos oncológicos, no valor R$1,5 milhão. Já em março, recebeu R$200 mil para despesas de serviços; outros R$100 mil para manutenção da Clínica Renal em abril; R$1,5 milhão em junho, para pagamento de salários; e outros R$ 1,3 milhões neste mês, também para compra de medicamentos oncológicos.
A principal fonte de recurso são os contratos firmados com o governo do Estado, através dos quais a instituição recebe as verbas para manutenção dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde que a Prefeitura Municipal assumiu a Santa Casa, em janeiro de 2019, e designou a enfermeira Thais Aramburu como gestora, o hospital fechou leitos e, na contramão, inchou o quadro funcional, que hoje conta com quase 800 profissionais.
As faltas de medicamentos e insumos são recorrentes, além da precariedade da manutenção de equipamentos essenciais ao atendimento dos pacientes, como o acelerador linear (responsável por aplicar radioterapia de pacientes com câncer).
A má administração tem agravado a insatisfação dos usuários e contribuído também para o aumento da violência contra os profissionais – verbais e até físicas.
Demissões
Além disso, na última semana, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) anunciou a demissão em massa dos médicos que atuam no Pronto-Socorro do Hospital, que decidiram rescindir seus contratos de trabalho motivados por recorrentes atrasados de salários e condições inadequadas de trabalho enfrentadas pelos profissionais. De acordo com o Sindicato, a situação se arrasta desde fevereiro.
O HSCU foi formalmente notificado sobre a decisão nesta quinta-feira e ainda não se manifestou. Além da demissão, o sindicato anunciou a suspensão de consultas eletivas (ou seja, as que não urgência e emergência) e atendimentos ambulatoriais do serviço de oncologia e a manutenção apenas de pacientes em tratamento quimioterápico. Já o serviço de psiquiatria restringirá o atendimento a casos de emergência. Essas medidas também passam a vigorar a partir do dia 29 de setembro.
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