MUDANÇAS
Prefeito demite gestora da Santa Casa

Reprodução/Facebook - Enfermeira Thaís Aramburu não dirige mais o Hospital Santa Casa
Nesta quinta-feira, 28/8, o prefeito Carlos Delgado (PP) desligou a enfermeira Thaís Aramburu da gestão do Hospital Santa Casa de Uruguaiana. Thais estava à frente da instituição desde janeiro de 2019, quando o então prefeito Ronnie Mello (PP) requisitou administrativamente o hospital, impedindo que ele fechasse as portas.
Agora, Delgado nomeará um grupo de trabalho que será responsável pela mudança de gestão da Santa Casa, com o objetivo de “garantir que o hospital continue atuando dentro da normalidade”. “Atualmente, todos os esforços se concentram em garantir que a instituição cumpra o seu propósito de atender os moradores ao mesmo tempo em que os profissionais da saúde sejam valorizados”, disse o Executivo, em nota que também serviu para agradecer a atuação de Thaís à frente da instituição.
Crise
A saída de Thaís ocorre em meio a um agravamento da crise financeira vivida pela Santa Casa. A partir do início do ano, o HSCU está recorrendo quase mensalmente aos cofres do município. Somente esse ano foram cinco aportes de dinheiro público, que totalizaram R$ 4,6 milhões extras, além dos valores repassados mensalmente para manutenção de serviços como Pronto Socorro, Clínica Renal e Banco de Sangue.
O primeiro foi em janeiro e, segundo a instituição, utilizado para compra de medicamentos oncológicos, no valor R$1,5 milhão. Já em março, recebeu R$200 mil para despesas de serviços; outros R$100 mil para manutenção da Clínica Renal em abril; R$1,5 milhão em junho, para pagamento de salários; e outros R$ 1,3 milhões neste mês, também para compra de medicamentos oncológicos.
A principal fonte de recurso são os contratos firmados com o governo do Estado, através dos quais a instituição recebe as verbas para manutenção dos serviços prestados ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde que a Prefeitura Municipal assumiu a Santa Casa, em janeiro de 2019, e designou a enfermeira Thais Aramburu como gestora, o hospital fechou leitos e, na contramão, inchou o quadro funcional, que hoje conta com quase 800 profissionais.
As faltas de medicamentos e insumos são recorrentes, além da precariedade da manutenção de equipamentos essenciais ao atendimento dos pacientes, como o acelerador linear (responsável por aplicar radioterapia de pacientes com câncer).
A má administração tem agravado a insatisfação dos usuários e contribuído também para o aumento da violência contra os profissionais – verbais e até físicas.
Demissões
Além disso, na última semana, o Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers) anunciou a demissão em massa dos médicos que atuam no Pronto-Socorro do Hospital, que decidiram rescindir seus contratos de trabalho motivados por recorrentes atrasados de salários e condições inadequadas de trabalho enfrentadas pelos profissionais. De acordo com o Sindicato, a situação se arrasta desde fevereiro.
O HSCU foi formalmente notificado sobre a decisão nesta quinta-feira e ainda não se manifestou. Além da demissão, o sindicato anunciou a suspensão de consultas eletivas (ou seja, as que não urgência e emergência) e atendimentos ambulatoriais do serviço de oncologia e a manutenção apenas de pacientes em tratamento quimioterápico. Já o serviço de psiquiatria restringirá o atendimento a casos de emergência. Essas medidas também passam a vigorar a partir do dia 29 de setembro.
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