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Segurança Pública

Polícia Civil entra em greve caso pacote vá à votação

Gabriela Barcellos
Foto: Divulgação

A Polícia Civil vai entrar em greve na próxima semana, se o pacote do governo do Estado for para a pauta de votação da Assembleia Legislativa. A decisão foi tomada em assembleia realizada pelo Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (Ugeirm), que decidiu por unanimidade pela decretação de greve. Após a assembleia, servidores realizaram uma caminhada até o Palácio Piratini, onde realizaram um protesto. O presidente do Ugeirm, Isaac Ortiz - que recentemente esteve em Uruguaiana - disse que a proposta do governo do Estado fragiliza a categoria "A proteção das famílias dos policiais também está sendo destruída pelo projeto", disse. 

Carregando bonecos do governador Eduardo Leite (PSDB) e cartazes com frases como 'inimigo dos servidores públicos', o grupo chegou à Praça da Matriz - palco de ato unificado de outras categorias - por volta das 16h30min. Parte dos sindicalistas também cantava "você pagou com traição, a quem sempre lhe deu a mão", referindo-se ao vice-governador e secretário de Segurança Pública Ranolfo Vieira, que era delegado de polícia, e que também ganhou um boneco.

Naturalmente, se cumprirem a promessa e entrarem em greve, os policiais manterão efetivo mínimo trabalhando, a fim de não desassistir a comunidade e manter a legalidade. O costume é observar o percentual de 30% de servidores no exercício das atividades, em regime de rodízio entre os grevistas.

Também contra o pacote, professores ligados ao Cpers/Sindicato estão com os braços cruzados desde novembro. Outras categorias também aderiram à greve. Na semana passada, representantes de Brigada Militar e Corpo de Bombeiros Militar realizaram marcha protestando.

Corte de ponto

Ontem, 11/12, um dia após a votação que definiu a greve, a chefe de Polícia, delegada Nadine Anflor, afirmou que se a categoria decidir parar, haverá o corte de ponto.

"Os policiais civis não podem fazer greve. Há uma decisão do Supremo Tribunal Federal, de 2017, que trata da impossibilidade de paralisação. A nossa postura como chefe de Polícia, como administração, é continuar dialogando, respeitando as mobilizações, mas não podemos admitir falta de comprometimento dos policiais", disse durante a reinauguração de uma delegacia na capital.

Nadine reiterou o respeito às manifestações, mas relatou que há uma ordem do governo em relação ao comportamento de grevistas. "A greve não será admitida. Respeitamos a operação padrão, tudo dentro de um diálogo, agora não podemos concordar com a paralisação. Já há uma determinação do Executivo no que diz respeito ao corte do ponto", argumentou.

Ortiz reagiu com surpresa à declaração de Anflor, mas garantiu a paralisação em caso de votação do pacote. "Se ocorrer, a Polícia Civil com certeza entrará em greve. Ele também destacou o atraso de salários e a dificuldade em travar um diálogo profissional. "O Supremo Tribunal Federal também diz que tem de haver salário em dia e nós convivemos com este problema há cinco anos, tendo que recorrer a empréstimos para sanar as nossas dívidas. Temos plena consciência de que vamos atender a população, até porque a greve não é contra ela. O pacote é desastroso para todos", resumiu.

Votação

O conjunto de propostas que mexe diretamente na carreira dos servidores tramita na Assembleia Legislativa em regime de urgência, tendo prioridade para apreciação. Na semana passada, o presidente da AL, deputado Luis Augusto Lara (PTB), chegou a defender a retirada do regime de urgência, mas não houve alteração. A previsão é de que o pacote seja votado já na próxima terça-feira, 17/12. A partir de então começa a trancar a pauta.


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