URUGUAIANA JN PREVISÃO
Marisele Velasques

Exaustão

Os muitos compromissos da vida moderna e a velocidade na comunicação e informação estão deixando as pessoas visivelmente mais atarefadas e consequentemente estressadas. O imediatismo agora faz parte da realidade da maioria da população mundial. Parece que estamos esquecendo o que é esperar. Desejamos tudo para ontem e vivemos preocupados com situações e eventos que ainda nem aconteceram, acelerando nossos pensamentos que ficam focados no que ainda nem existiu ao invés de prestar atenção no momento vivido.
Imitando os adultos como espelhos e referências, estão crescendo ansiosas e com pouca paciência as nossas crianças, que muitas vezes em casa recebem tudo o que desejam na hora que pedem, porque é melhor o silêncio e a calmaria do que birras e choros, e só na escola descobrem limites, regras e noções de tempo como entender o momento de estudar e de brincar na hora do recreio. Resultado: professores exaustos porque todos os dias precisam lembrar atitudes básicas de convivência antes de começar a trabalhar as atividades propostas para a aula.
Sabemos que essa tarefa de ensinar todos os dias as mesmas coisas não se limitam apenas aos pequenos, aos adolescentes muitas vezes se torna até mais cansativo. Também concordamos que muitos alunos independente da idade já vão para o colégio bem orientados em relação ao respeito às regras e aos professores, prontos para aprender, mas que assistem os colegas precisando relembrar diariamente o que é conviver bem com o outro.
O resultado disso tudo são professores no limite da exaustão, já que estão prontos para ensinar, mas o papel que deveria vir de casa torna a rotina escolar cansativa e muitas vezes desmotivadora. O trabalho de um educador não é fácil, e como bom seria para todos ir apenas para ensinar o que foi preparado por formação, mas não é o que acontece. E o pior é que esses professores vão para casa e precisam ser atuantes em suas famílias, conviver e cumprir suas atividades diárias.
Não é fácil ver um colega comentando que não sabe mais o que fazer, que está se sentido cansado e desanimado, e com forças mínimas já que todos passam pelo mesmo desafio. O jeito é tentar animar com o pouco de bom humor e forças que ainda temos e conseguimos trocar uns com os outros. O mundo corre, as tecnologias avançam cada vez mais, porém, a humanidade e seus valores parecem que esqueceram que existe mais que um profissional ensinando, mas um ser humano. Não podemos nos assustar com um número expressivo de profissionais da educação adoecendo tanto fisicamente quanto emocionalmente, são muitas cobranças e responsabilidades e pouca ajuda e valorização, problemas que se arrastam por décadas.  Está cada vez mais difícil ser professor, mas o que nos move é a esperança de um futuro e de um país melhor. Por isso, apesar de tantos desafios ainda continuamos mesmo que exaustos.

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