URUGUAIANA JN PREVISÃO

Os castigos divinos

Primeiro foi o caso da maçã. Parece que isso não estava em seus planos, quando Deus fez um boneco de barro e soltou um bafo no dito, criando o homem. Esse, chamado Adão, sozinho, não criou problema para Deus. Ficou lá pelo paraíso, sem fazer nada o dia inteiro, a não ser coçar o saco, que Deus tinha botado nele, sem finalidade nenhuma, até então, que não a de ser coçado.  

Vendo aquele cara sem fazer nada, a não ser as já mencionadas coçadas de saco, o próprio Deus se sentiu entediado. Afinal, ele havia criado o céu, a lua, as estrelas, os rios, as florestas e tudo o mais, exatamente porque estava desde o começo da eternidade, que não tem começo, no maior ócio. E aí criou tudo, para ter alguma coisa como passar a eternidade. É bom lembrar que, para Deus, não existe tempo: só eternidade.

Bem, daí deu aquilo que se sabe, né: ele teve que criar a mulher, para não deixar o homem sozinho, sem fazer nada, coçando o saco. Tirou uma costela do cara e fez a mulher. Com tal providência, o saco do homem já tinha motivo para funcionar, mas também o inconveniente de ficar cheio.

Aí aconteceu a segunda inauguração no mundo: a das fofocas. Da amizade da mulher com a serpente, veio à baila o assunto da maçã. Conversa vai, conversa vem, a mulher ficou convencida de que, se comesse a maçã, ia ficar emponderada, igual a Deus. Então, comeu a maçã e, tititi, patatatá, tratou de fazer a cabeça do homem. Esse, se sentindo pela primeira vez de saco cheio, acabou concordando: "tá, mulher".

Foi o primeiro incômodo que Deus teve, mas fácil de resolver. Mandou os dois embora, gritando "fuck you", imprecação que, mais tarde, foi traduzida como "crescei e multiplicai-vos".

Mas, Deus não contava que, com a multiplicação a coisa ia ficar muito pior. E aí ele teve que apelar para o dilúvio. Afogou a terra, e só não exterminou a humanidade, porque poupou Noé, sua família e mais um casal de cada animal, dos dinossauros aos bichinhos da goiaba.

Depois do dilúvio e com as transas dos filhos e noras de Noé, as coisas tomaram outro rumo. Mas não como Deus queria. Tanto que surgiram as cidades pecadoras Sodoma e Gomorra. E Deus teve que se desembaraçar delas. Torrou as duas no fogo e no enxofre.

Não adiantou. Então Deus criou Hitler, Stalin, Fidel Castro e outros para darem um jeito na humanidade, cada um a seu modo. Atiçou guerras, inventou a peste espanhola, a gripe, o cólera, mandou terremotos, tsunamis e furacões de menor calibre. Quase conseguiu. Mas ficou no "quase". A humanidade continuou se esbaldando.

Agora, aparece o coronavirus. Borrado de medo do castigo divino, o povo correu para o papel higiênico, se arrependendo das puladas de cerca e de outras variações sobre o mesmo tema. Só respirou aliviado, com os noticiários da grande imprensa alardeando a todo momento: "a culpa é do Bolsonaro".

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