URUGUAIANA JN PREVISÃO
João Eichbaum

Meia verdade

"Internado no hospital em decorrência de dores abdominais, o presidente Jair Bolsonaro publicou, nas redes sociais, que encara "mais um desafio" por causa da facada que levou de Adélio Bispo, em 2018, durante sua campanha eleitoral. Sem citar o nome do agressor, Bolsonaro voltou a politizar o ato que, segundo todas as investigações policiais, foram resultado de uma ação isolada". Assim está redigida no jornal Estado de São Paulo, na edição de quinta-feira passada, a notícia sobre a internação hospitalar do presidente Jair Messias Bolsonaro.
Sobre a hospitalização do presidente, é meia ou um quarto de notícia. Mas como intenção de divulgar o fato é uma notícia completamente tendenciosa. O que não é novidade alguma em se tratando daquele jornal, quando se cuida de fatos nos quais figure como personagem o atual presidente da república.
Parece que os redatores daquele jornal perderam a noção de notícia e confundem crítica com notícia. Notícia é a divulgação de um fato, pura e simplesmente. Crítica é o modo de encarar o comportamento da pessoa envolvida no fato.
"Bolsonaro voltou a politizar o ato que, segundo todas as investigações foram resultado de uma ação isolada". Aqui está a mistura, a salada, a mixórdia, revelando a mão de um militante ao invés de um jornalista na redação do texto. Ao mesmo tempo que refere a declaração de Bolsonaro, o redator a redarguiu. Ora, isso não é notícia sobre a hospitalização do presidente, mas crítica sobre o comportamento dele. Além disso, a redação apresenta, para todos os países que adotam o português como idioma oficial, jornalistas que não dominam o idioma. Olhem só: "o ato que...foram resultado de uma ação isolada". Onde teria esse jornalista comprado seu diploma?
O jornal só pode enganar a quem não sabe ler, aos doentes, aos alienados, aos energúmenos. Pessoas inteligentes e descomprometidas com qualquer ideologia partidária, sabem que foram exclusivamente motivos políticos que determinaram o atentado à vida de Bolsonaro. O autor do atentado jamais alegou outro motivo. Então, não foi Bolsonaro que "politizou" o fato.
O que ocorreu foi um ato criminoso por motivos políticos, e ponto final. Ato político é uma coisa, crime é outra. Além da obtusa conceituação, a notícia não traduz a verdade. A investigação policial é uma só. Não existem várias investigações. Existem, sim, várias etapas da investigação. E mais: todo mundo sabe que a investigação policial foi trancada pelo Supremo Tribunal Federal. A pedido da OAB, a polícia recebeu do STF uma ordem de "pare". A polícia não pode ir adiante, porque nem à OAB e nem ao Supremo, certamente, interessa a verdade. Há, possivelmente, interesses maiores, sobre os quais o povo não deve ficar sabendo.
Então, senhores, não se pode vender como verdade absoluta que "todas as investigações" conduziram a um fato isolado. As investigações não acabaram, ficaram a meio caminho. Quem sabe algum dia se crie uma verdadeira "Comissão da Verdade", para concluir aquelas investigações. Até lá, talvez, o Estadão já tenha jornalistas que conheçam o beabá da concordância gramatical.

Sobre nós:

Credibilidade na informação regional e a força de um dos precursores da informação em Uruguaiana. Você também está convidado para fazer parte dessa história.

Telefone: (55) 3402-2782
Endereço: R. Duque de Caxias, 2247 - Centro, Uruguaiana - RS, 97500-181