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Cátia Liczbinski

Agrotóxicos: Você sabe o veneno que está comendo e o que ele pode causar?

"Agrotóxicos não são necessários para produzir mais comida, meu movimento na Índia tem demonstrado que é possível alimentar duas vezes a população indiana sem venenos, enquanto protegemos o planeta, os polinizadores, a biodiversidade, e também curamos o solo e a vida de todas abelhas"(Vandana Shiva).
A situação do Brasil é grave em relação a utilização de agrotóxicos. Desde 2008, o Brasil é campeão em uso de agrotóxicos no mundo. No Brasil há sérios problemas quanto ao uso de agrotóxicos como a permissão de agrotóxicos já banidos em outros países e venda ilegal de agrotóxico que já foram proibidos.
Segundo a Organização Mundial da Saúde são registradas 20 mil mortes por ano devido o consumo de agrotóxicos. A Organização Internacional do Trabalho afirma que os agrotóxicos causam 70 mil intoxicações crônicas por ano que evoluem para óbito, em países em desenvolvimento. Outros mais de sete milhões de casos de doenças agudas e crônicas não fatais também são registrados.
Agrotóxicos são produtos químicos sintéticos usados para matar insetos, larvas, fungos, carrapatos sob a justificativa de controlar as doenças provocadas por esses vetores e de regular o crescimento da vegetação, tanto no ambiente rural quanto urbano.
Os agrotóxicos causam uma série de doenças. Toda a população é exposta aos agrotóxicos, por meio do consumo de alimentos e água contaminados. As gestantes, crianças e adolescentes também são grupos de risco devido às alterações metabólicas, imunológicas ou hormonais.
O ser humano está em contato com agrotóxico direto com a inalação, contato dérmico ou oral durante a manipulação, aplicação e preparo do aditivo químico, principalmente os trabalhadores da agricultura, pecuária, de empresas desinsetizadoras, de transporte e comércio de agrotóxicos, bem como pulverizações aéreas que ocasionam a dispersão dessas substâncias pelo meio ambiente contaminando as áreas e atingindo a população.
Outra forma de consumo diário de agrotóxicos é pelos alimentos e água contaminados.
Os efeitos para saúde são graves: desidratação, alergias, ardência do nariz e boca, tosse, dor no peito, dor de estômago, vômitos, diarreia, dor de cabeça, transpiração anormal, fraqueza, câimbras, tremores, irritabilidade.
Alguns efeitos crônicos aparecem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxico como: dificuldade para dormir, esquecimento, aborto, impotência, depressão, problemas respiratórios, alterações no fígado e rins, anormalidade nos hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, infertilidade, malformação, problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças (ANVISA, 2018).
Também estudos vêm mostrando o potencial de desenvolvimento de câncer relacionado a diversos agrotóxicos, justificando a precaução para com o uso e contato. Por exemplo, agrotóxicos liberados no Brasil e bastante utilizados são o Glifosato: carcinogênico, como Linfomas não Hodgkin e o Herbicida; o 2,4 D: câncer de pele, nasal, sinonasal, nasofaringe, orofaringe, laringe; clorpirifós: leucemias, linfomas, pâncreas, e o Diazinona: leucemia, câncer de pulmão.
Estão proibidos no Brasil (embora o contrabando) por exemplo: Aldrim, pela periculosidade e cancerígeno, o DDT, por alta poluição ambiental, carcinogenicidade e distúrbios hormonais.
Durante este governo foram aprovados mais defensivos agrícolas que o total dos últimos 20 anos. Em um ano (janeiro de 2019 a fevereiro de 2021) foi aprovado em média 1,4 substâncias por dia, em torno de 1.560 novos ativos segundo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. Conforme a ANVISA pelo menos 37 dos agrotóxicos registrados desde 2019 são proibidos nos EUA e na UE por causa da toxicidade à saúde. Na atualidade supera-se mais de 2 mil pesticidas.
Só em 2019, o Brasil teve a maior quantidade de agrotóxicos com os níveis mais altos de toxicidade e periculosidade: 32,8% "extremamente tóxicos à saúde" e 52% "altamente perigosos ao meio ambiente".
Para Kenzo Jucá, - Instituto Socioambiental (ISA) "A indústria do pesticida e do veneno vê no Brasil uma oportunidade para desovar os produtos que não conseguem mais vender em outras partes do mundo", diz o especialista em Direito Ambiental.
(Informações retiradas do site do Governo Federal, Ministério da Saúde, Instituto do Câncer).

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