URUGUAIANA JN PREVISÃO
BRIANE MACHADO

Papel e caneta

As semanas que antecedem o Natal são marcadas pela multiplicação de pessoas nos centros das cidades. Todos querem garantir os presentes para a data mais esperada do ano e fazer com que as pessoas próximas se sintam especiais. 

O ato de comprar presentes representa mais que o consumismo resumido em uma data, mas demonstrar carinho àqueles que estão ao nosso lado durante o ano, quiçá, durante a vida toda.

É durante o final de ano que temos, curiosamente, uma maior vontade de reflexão, de sabermos o que nos afetou, negativa ou positivamente, durante o ano que estamos acabando de viver.

Na maioria das vezes, compramos presentes e o entregamos como forma de demonstrar o que não conseguimos expressar em palavras. É difícil escrever e, por vezes, mais difícil ainda falar para as nossas pessoas mais importantes.

Em uma dessas idas ao centro da cidade para as compras do final de ano, percebi e me perguntei: Cadê os vendedores de cartões de Natal?

Lembro que há poucos anos, eu saía com minha mãe para a jornada natalina e parávamos em algumas bancas provisórias para escolhermos os dez cartões de compunham o "leve 10 e pague 8".

Cada qual com sua ilustração mais linda, que nos remete aos Natais que ocorrem na terra do Bom Velhinho.

Aquelas ilustrações na capa com uma linda e curta mensagem dentro, nos remetia ao aconchego que essa data pode trazer.

Cada cartão era cuidadosamente escolhido e dirigido a pessoa que mais descrevia aquela mensagem.

Recebíamos cartões de amigos, familiares, das lojas que comprávamos e do dentista. Tudo estilizado de acordo com cada área - por muitos anos, recebi cartões com um dente natalino e, confesso que guardei todos.

Todo ano, aqueles cartões faziam parte da decoração da árvore de Natal e o gesto de carinho e amizade brilhava mais que as luzes que piscavam aleatoriamente.

Hoje, com a tecnologia marcando o final da década e com a urgência fazendo parte do dia a dia de todos nós, não temos mais os vendedores de cartões.

Não podemos mais escolher gravuras e mensagens, nem preencher cada nome e seu envelope correspondente.

Recebemos mensagens em aplicativos de smartphones, as quais não vêm acompanhadas da ternura que demonstrava aquela ilustração do mesmo segmento dos papéis de carta.

Elas não ficarão salvas por muito tempo, visto que a memória do celular não é afetiva como a nossa.

Não temos mais a possibilidade de enfeitar nossas árvores natalinas com os inúmeros cartões que recebíamos desde o final de novembro, nem de coloca-los nos envelopes para guarda-los no dia 06 de janeiro do ano seguinte - dia de desmontar a árvore.

Faz falta ver o carinho e a lembrança das pessoas que, por muitas vezes, nem convivemos, que moram longe, mas que se dispuseram a preencher um daqueles cartões para envia-lo pelo Correio.

A urgência de hoje em enviar uma mensagem por aplicativos - que muitas vezes são apenas encaminhadas como cópias - não será capaz de apagar a expectativa em receber um cartão.

Talvez soe piegas, mas o papel escrito jamais será substituído por alguns caracteres eletrônicos.

Sobre os cartões que recebi, eles ainda estão guardados na caixa de enfeites natalinos.

Guardei um pouco de ternura ilustrada.


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